Toda língua natural (aquela que uma criança aprende
ouvindo os adultos falarem) apresenta variações, isto é,
uma diversidade de usos a que correspondem uma
diversidade de modos de expressão e uma diversidade de
características gramaticais e de vocabulário: há diferença e
oscilação de usos na pronúncia (por exemplo, ‘mulher’,
‘mulé’, ‘muié’), no gênero dos nomes (‘o/a personagem’,
‘duzentos/duzentas gramas de manteiga’), na expressão
da intensidade (‘roupa limpíssima/roupa bem limpinha’),
nas construções (‘ele vai chegar/ele chegará’, ‘não sei/não
sei não/sei não’) etc. Diferenças como essas são normais
em qualquer língua natural.
A primeira lição que podemos extrair desse fato é que se
essas diferenças existem é porque são funcionais, servem
de meio de expressão e entendimento entre seus usuários.
Compreender a diferença, ser capaz de analisá-la e saber
lidar com ela nas relações interpessoais é um grande
passo para uma bem-sucedida política de ensino da leitura
e da produção escrita na língua materna. Afinal, a língua
existe para que seus usuários se expressem e se
compreendam, participando, como cidadãos dotados de
direitos e deveres, da vida social em sua plenitude,
entendendo o mundo à sua volta e fazendo-se entender
pelos outros, desfrutando dos bens culturais e realizando
seus projetos de vida.
Uma pedagogia da língua baseada na depreciação
lingüística e sociocultural do aprendiz gera insegurança,
amesquinha a auto-estima e só produz silêncio. Este é um
discurso corrente em textos contemporâneos sobre
educação em geral, e não apenas na reflexão sobre o
ensino de língua materna. A língua, no entanto, é objeto
privilegiado nessas discussões porque é o meio coletivo
básico e, por assim dizer, universal de expressão.
(AZEREDO, J. C. In : Pauliukonis, M.A.L. e Gavazzi, S. (Orgs.).
Da língua ao discurso. Rio de Janeiro: Lucerna, 2005, p.31.
A análise de aspectos discursivos do Texto 1 nos permite afirmar que:
existem é porque são funcionais”, o autor utiliza o discurso indireto, marcado pela presença da
primeira pessoa do plural.
2) no trecho: “Toda língua natural (aquela que uma criança aprende ouvindo os adultos falarem)
apresenta variações”, o segmento entre parênteses funciona como uma explicação, o
que demonstra o cuidado que tem o autor para que seu interlocutor compreenda suas idéias.
3) o recurso lingüístico de alternar e intercalar vários tipos de discurso, ao longo do Texto 1,
permite que o leitor reconheça, nele, diversas vozes, de locutores distintos.
4) no primeiro parágrafo, após apresentar como exemplos formas e expressões não aceitas pela
norma padrão, o autor conclui que essas diferenças são normais, o que revela sua falta
de preconceito em relação às variedades lingüísticas.
Estão corretas:
a) 1 e 3, apenas
b) 2 e 4, apenas
c) 1 e 4, apenas
d) 2 e 3, apenas
e) 1, 2, 3 e 4
SOLUÇÃO:
marcado pela presença da 1ª pessoa do plural.
a proposição 2 está correta porque, no trecho dado, de fato, o segmento parentético funciona como uma explicação, o que demonstra o cuidado que tem o autor para que seu interlocutor compreenda suas idéias.
a proposição 3 está incorreta, pois o autor não utiliza o recurso de alternar e intercalar vários tipos de discurso, ao longo do texto.
a proposição 4 está correta, pois, após trazer exemplos de formas e expressões não aceitas pela
norma padrão, o autor conclui que essas diferenças são normais, o que revela sua falta de preconceito em relação às variedades lingüísticas.
Assim, estão corretas apenas as proposições 2 e 4.
Resposta Letra B.









